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Amigo do tempo, amigo dos ventos Como dizia aquela canção de um famoso cantor dos anos 70 “...eu quero ter um milhão de amigos e assim mais forte poder cantar...”. Muitas vezes um milhão de amigos em listas online significa uns “gatos-pingados” que lhe escrevem vez ou outra ou mandam uma mensagem contando as novidades. Tem certas pessoas que quando se fala em levar uma hora viajando de carro ou trem até qualquer lugar para eles pode parecer estar indo para Sibéria. Longe é um lugar na sua mente, no seu desejo de rever, de falar, de comunicar-se efetivamente com os amigos (conhecidos). Algumas pessoas não gostam de ler e muito menos de enviar emails e às vezes nem apreciam Facebook ou MSN. Mas levam horas ao telefone (Skype) onde imagem e voz trazem-lhes a sensação de proximidade. O que sustenta uma amizade é segredo de séculos. Talvez respeito pelas diferenças, porque os pontos em comum são fáceis de se lidar. Ninguém é perfeito nem dono da verdade. Há ao meu ver quem socialize melhor ou com mais facilidade. Fazemos escolhas ao nosso bel prazer, fazemos escolhas que nos agradem, que se encaixem ao momento de vida. Há também os “amigos de ocasião” quando você pede certos “favores” na hora de viajar, tipo alguém para ficar com o seu animal de estimação. Outros hospedam-se na casa de “conhecidos dos conhecidos” para economizar uns centavos a mais. Nada de estranho ou condenável nesses atos e escolhas, mas daí a chamar os “conhecidos” de amigos ou seja lá o que for é ir mais longe, redefinindo e empobrecendo o significado da amizade. Existem amigos de verdade desde a infância, mas há aqueles também que entraram em nossas vidas a menos de 20 ou 10 anos por pura “coincidência”, coisas do destino; são pessoas com as quais nos identificamos, seja pelo modo de ser, agir, pensar; o fato é que “falamos a mesma língua” apesar das diferenças em estilo, do credo, dos gostos, da história de vida. Acredito que gente que gosta de gente sempre encontra um meio de se irmarem, compartilhar a mesma ceia. Amigo é alguém com quem você tira máscaras e disfarces e revela sua pequenez e suas fraquezas, sua face, compartilha problemas e confessa outros pecados. Mas amigo não é padre para confessar seus deslizes, mas alguém de confiança para segredar aflições. E mesmo que o amigo não tenha uma solução para o nosso impasse de vida, ele pelo menos nos ouve, aconselha se puder e está sempre desejando-nos o melhor. Amigo não tem a mão cheia de ouro para nos ofertar,pois sua riqueza é outra, é saber lidar com o ser humano, é ter empatia. Confesso ter poucos amigos e uns conhecidos. Se estão longe ou perto, para mim não importa, pois se em emails ou em bate papos online faço contato, procuro dar a eles a qualidade verdadeira e exata para essa comunicação. Também sou um desses que às vezes perdem quase um dia inteiro lendo notícias na internet ou buscando informações outras e deixa o tempo passar quando podia estar dando boas risadas com quem lhe quer bem. “...amigo é coisa pra se guardar no lado esquerdo do peito mesmo que o tempo e a distância digao não...”. Pois é, quem nunca teve um amigo que mora longe, numa outra cidade, num outro estado ou país? Para esses amigos parece que o tempo congelou, nossas boas memórias e lembranças ficaram enquadradas como uma foto num porta-retrato antigo. Que tempo é esse que na ampulheta da vida conta-se diferente? Não saberia dizer, não poderia explicar porque nem eu mesmo entendo como certas amizades se perdem ao longo do caminho. Uma relação a dois e de amizade também vive das discordâncias e daquelas briguinhas tolas, mas sobrevive. Como tudo que veio para ficar, perdurar, sem ficar cheirando a naftalina, sem mofar ou perder o brilho próprio. “...amigo é coisa pra se guardar debaixo de sete chaves, dentro do coração..”. Amizade pode ser possessiva, daninha, e só com muita conversa e o espaço devido às individualidades é que o amigo de verdade se alegra pelo fato de você ter outros amigos como ele. Há sempre tempo e lugar quando o coração é grande e os braços longos o suficiente para aquele abraço de irmão. Diamante bruto isso é a amizade, à esperar de ser lapidada. Sem medo de parecer piegas, escrevo meu texto como quem se define, sem medo das críticas, pois elas estão sempre à espreitar em cada esquina. Outro veneno para a amizade é a fofoca, a dissimulação, a manipulação dos fatos e acontecimentos. Quem se diz amigo não dá ouvidos à maldade alheia, rebusca o que há de mais concreto e tira tudo à limpo, só depois de muito meditar, colocando-se no lugar do outro é que tece uma opinião e toma partido. Isso não quer dizer que um amigo não seja imparcial, ao contrário, ele possue suas convicções e seu caráter para saber o que lhe convém. Imagine agora que estejamos em diferentes margens do mesmo rio e há uma ponte que nos separa, cruzá-la depende da decisão amadurecida, do tempo madurado, dos sentimentos enriquecidos no peito. Se em meio às incertezas da vida, a sua certeza agora faz-lhe ir adiante, então é hora de cruzar essa ponte e encontrar ou reencontrar o amigo ou a si mesmo. O ser humano pode ser simples ou complicado; esse é mais um dos mistérios de estar vivo e em mutação. Há sempre espaço para melhorar algo em nós mesmos. No vazio de um mundo que envelhece, a solidão acompanhada nos amedronta. Numa manhã fria de inverno, talvez numa véspera de Natal, longe da família, dos irmãos ou irmãs, parentes. Você folheia nomes no caderno de telefone, tenta contactá-los em vão e parece que todos estão ou viajando ou com suas agendas cheias. A única coisa que lhe esquentar a alma é o café ou um chá revigorante. Um filme antigo na tevê lembra-lhe de tempos outros onde inocência e juventude andavam acompanhas e hoje parece que só resta um personagem sozinho no sofá da sala. Imagine agora um outro cenário: você está no meio de uma festa de fim de ano onde fogos, bebidas, risos, olhares, abraços, flertes giram num redemoinho de coisas e nada disso importa pois sente-se só, realmente só na multidão de rostos sem uma única face verdadeira. São dois momentos que se resumem num só: vazio em nós mesmos, perdas e buscas, desencontros, desvios e escolhas. Amizade é alegre quando não se fragmenta com os anos e mentiras, mesquinharias. Ela também pode ser triste quando perdemos a esperança de ter aquele amigo sincero e irmão. Desapontamento, decepções são parte do amadurecimento. O tempo é o remédio que cura certas cicatrizes e dores, torna-se um rio de águas mais profundas. Ele lava, leva e traz alegrias e descontentamentos. Poetas e escritores muitas vezes interrogaram-no na esperança de conter a vida e seu enigmas e ele indicou-lhes um horizonte mais amplo, cada vez mais distante e indefinito. Agora sopram os ventos, talvez das mudanças, ou quem sabe um novo temporal nos aguarde. Sopra também a brisa mansa que quer apaziguar temores, que fala de reconciliações: talvez a minha e a sua. Uivando esse mesmo vento desata correntes e alcança ares superiores, mais puros, mas libertos. O que cativamos precisa ser livre para que volte para nós quando estiver pronto. Dois momentos pessoais Livro da vida Minha vida é um livro aberto, mas onde ficaram as páginas soltas levadas pelo tempo? Que tormentas, que ventos carregaram-nas, que fogo consumiu meus versos e os pecados humanos mais naturais?Livro, diário, armário de memórias, metáfora e metas a serem alcançadas na existencia terrestre. Estamos sempre de partida e nem mesmo sabemos para onde. Vida de mil pétalas e mil sabores, cores e caminhos desbotados. O que escrevo com calma ou apressado, o que leio e não entendo, o que me traz paz ou agonia. Vida suada e sentida, mas vivida afinal. Impresso na palma da mão, mas ainda não aprendi a ler o que seria esse código de anjos, essa palavra chave, senha, sina, som, céu e mar num mesmo pano dimensional.Meu livro sou eu nú ou vestido de sonhos. Cobertos pelo orvalho das suas aflições e lágrimas que viram rio, riacho, trecho, ponte, passo, cadência. Meu livro e minha vida na sua primeira edição. Vida de casal Vida de casado é labirinto sem respostas, é campo de batalhas e de harmonia, paz e revoltas, é o que completa e fica sempre aquela ponta de não sei quê que não foi provado ainda. Vida de casado, poema inacabado, caminho envolto em outras trilhas. Céu e inferno, a roupa do dia, o lençol da noite passada, cheiro nas narinas, carinho nas mãos, nos gestos iguais e desiguais, intenções irmanadas sem as palavras que limitam.Sexo não é uma droga que vicia. Amor não é um sintoma que se cure facilmente. A vida não é um sonho sempre com final feliz. Olhos nos olhos de quem se ama, o que se diz, o que nunca será dito, confissões da alma, cifras, músicas, códigos do coração. Estar junto e ainda assim ter medo das partidas, mas que tola sina, que idéia mínima. Ser grande é mais digno, é o que a alma pede e o coração adivinha, na linha e no norte de cada direção anunciada. Palavra, poema, música de sílabas soltas, de doce e mel nos lábios alheios. Deixemos os receios de lado e sigamos amando o ser amado, o parceiro, parceira igual ou desigual nas ânsias e necessidades outras. Vida de casal, casamento de antes e durante e ainda o espaço mais quente para o depois. Vida de dois em um, vida de sonho e luta, vida de melodias e sons invisíveis. A língua do meu sentimento A língua do meu sentimento é o que escorre entre palavras soltas e versos desencontrados, é o que não se explica, mas chora como chuva de primavera. Céu nublado, esperança de um raio de sol mais forte, pois também é forte e intensa todas as esperanças e esperas de uma vida melhor. Mas felicidade é o que hoje se planta, como alimento que cura a fome do dia anterior. Felicidade é o que não se define, nem mede, nem se conta como notas de euro ou libra esterlina. Nas pequenas coisas eu sou feliz porque quero compartilhar esse sabor de vida e suor com quem amo, seja amigo,conhecido ou irmão; seja compamheiro de viagem ou de sonhos. A vida é o sonho que ousamos acreditar, com os pés no chão, com as mãos na lida, no trabalho digno, com os olhos na manhã seguinte. A língua que nos irmana é irmã da saudade, do que os outros idiomas tentam definir. Sentir também rima com o que dói e não passa, como brisa no fim de tarde, como mar que mareja e vento que canta o nosso nome. A língua do meu coração não me faz estrangeiro quando em meio á multidão, entendo que meu peito carrega meus sentimentos onde quer que eu vá. Viajei por tantos lugares e ainda há tantos caminhos que sempre busquei e irei buscar. A minha casa, o meu lar é onde meu coração está feliz apesar dos medos, receios ou apreensões de coisas que eu não posso mudar, pois fazem parte da vida. O que compartilho é a minha verdade, é o meu desabafo, é a minha confissão de que apesar de homem adulto, vive dentro de mim uma criança que brinca de viver e se encanta com um dia de sol, com a chuva fina e a mudança das estações. O sentimento que expresso vem com a cadência da língua que herdei dos meus pais e ancestrais. Meu emocional é o termometro da minha alma que sendo peregrina tem seus altos e baixos e humores outros. A língua do meu coração, do meu sentimento me traz de volta a fé para seguir em frente e amar todos os momentos compartilhados.
5 ANOS DE UMA VIDA DE IMIGRANTE BRASUCA Quando o tempo passa pela nossa janela e nem percebemos. Confesso não saber dizer quando tudo parece passar tão rápido para notarmos as mudanças. Talvez quando esquecemos de contar os meses e o relógio já nem mais marca as horas, mas a rotina dos dias: trabalho, casa, trem, finais de semana. Foram cinco anos de uma história peregrina com alma, sabor, lembranças e saudades filtradas em versos e crônicas. Sim, a vida também é irrônica e prega peças e planta armadilhas; abre portas, mostra escolhas e tudo que vira ato repetido já faz parte das nossas vidas. Nessa luta pela sobrevivência lidamos com carências, sonhos e devaneios; superamos os receios e achamos e perdemos rimas quebradas. Sim, a minha palavra, forte ou fraca, mas minha, feia ou bela, mas me abre portas e janelas e me oferta um outro tipo de liberdade que eu nem imaginava existir. Desabafo de quem em cinco anos muito aprendeu e pouco fez diferente. Cinco anos de quem ainda briga com uma língua estranha e áspera e planta a paciencia num vaso imaginário. O que me faz mover, ir adiante é o amor verdadeiro, seja pela tempo que for, pelo suor, pela alegria e pela dor que foi curada. Por alguém que com o coracao aberto me deu a mao, construiu casa, estrada, caminho, lar, aconchego e cama quentinha para adormecer com os medos acordar com minhas esperancas renovadas. Queimei certas etapas necessarias para quem é imigrante como eu e quer adaptar-se `a nova ordem do dia, `as normas e códigos de conduta. Toda jornada é válida como aprendizado no processo de vida, no crescimento interior. Imigrantes por razoes várias e entre um país e outro ou uma espera, um atraso, um ticket, uma passagem para algum lugar. Sol, lua, um viver melhor. Meus cinco anos ainda sao novidade para mim, ainda ha muito o que entender nas buscas, esperas e conquistas. Meu desabafo chega num dia mais claro de primavera, mas ainda fria. Minhas expectativas ainda driblam as dificuldades dos tempos modernos. Gosto de rabiscar nomes de países que já visitei ou nao no meu carderno. Gosto de imaginar-me a meio caminho de lá. Longe é o lugar que ainda nao ousamos estar. Vida é o mistério multifacetado, fragmentos, momentos eternos, cristal partido ao meio como poema incompleto. Vida é tudo que virá, tudo que nao se materializou e tudo que vive na duvida e na indagaçao. Vida é a razao sem explicar os porques. Folhas ao vento O imigrante é mais que um aventureiro, mas alguém que escreve sua história de vida e influencia a outros. Todos nós, brasileiros de alma e de coração abertos, filhos do vento, da liberdade que nunca veio fácil. O nosso país, carregamos no peito, na memória, no gesto, no sorriso largo, no falar manso, aonde quer que estejamos seremos sempre brasileiros, no jeito de ser e agir ,na ginga e no olhar. Mas a vida segue seu rumo e seguimos nós o nosso destino;sim há essa poesia feita de suor e luta. Todos sabemos muito bem do preço que se paga pelo sonho almejado, por tudo que nunca se diz, mas vive, e tïda pena e toda lágrima derramada ao longo do tempo que se está longe da terra mãe. Estrangeiros no estrangeiro, lutando todo dia para sermos aceitos e integrarmo-nos a um mundo novo no velho mundo.Não há garantia de sucesso, mas a luta diária reforça esperanças e em meio à espera do dia seguinte, construímos essa nova vida cheia de interrogações, que só com o tempo saberemos responder. Há uma razão maior para tudo que nos acontece, há novos amigos, brazucas ou não. Todos possuem seus relatos, trajetória que é contada em flashes da memória, nas linhas do tempo na face, nas folhas ao vento para cada primavera, em muitos outonos e tantos outros invernos.Mas eu acabei de chegar, e trouxe na bagagem menos do que podia trazer. Mas não esqueci da minha emoção, do que me faz soteropolitano, baiano, brasileiro, humano, cidadão do mundo, que aliás anda sempre conturbado com guerras e conflitos raciais em meio ao velho jogo do poder. Conviver com as diferenças, com o novo, com o desafio de saber quem somos e quem o outro é. O desafio da língua, do que se acredita ou o que se mostra apenas fruto de um preconceito tolo. O novo já é diferente, por isso somos únicos e originais.As folhas ao vento ainda dançam na minha mente, vou divagando um pouco, construindo rimas como uma música inacabada que sempre sai do tom. Esse sou eu. Mas me digam vocês, o que buscamos aqui não é um porto seguro, uma vida melhor, algo que nos mova e nos inspire, desafios outros; um aprendizado de vida que valha a pena todo o esforço. A vida melhor se constrói todo dia, mesmo antes da partida construímos uma chegada vitoriosa. Acredito que todo imigrante tem planos realistas, projetos concretos, mas nunca deixa de sonhar. O que se faz duro e penoso como pedras ao longo do caminho, nos fortalece, pois somos fruto das nossas experiências, do convívio e do contato. Sei muito pouco sobre este país, pois o que se lê nos livros nem sempre se constata. Mas só se vive uma vez e todos nós estamos aqui para aprender como se vive e convive com o novo e o diferente. Imigrantes Internautas Ainda vivo o processo inicial de adaptação, onde tudo surpreende, dúvidas na minha mente, medos, receios, sonhos, esperanças e esse sentimento de que tudo parece desafiador. Para muitos imigrantes o primeiro contato que tem-se com o país para o qual decide-se imigrar é através da internet, em sites em Inglês, na maioria das vezes. Há um certo planejando por parte de todos nós na busca de informações, arquivamento de dados e consulta de estatísticas para os mais curiosos. Mas a realidade é bem mais que isso, bem sabemos. Nem tão crua nem tão dura , apenas desafiadora como toda mudança nas nossas vidas. Hoje de manhã bem cedo assisti um jornal local brasileiro pela internet e por um certo momento estava eu de volta à casa dos meus pais, no aconchego do meu quarto, a transitar pela sala de estar. Pude mesmo ouvir os sons característicos que sempre me acompanharam na minha infância até a idade adulta. Mas hoje meu mundo é outro, um vento que sopra do norte me avisa que o dia se torna nublado, uma corrente de ar agita meus pensamentos e me traz para essa nova realidade. Agora como imigrante assumido, estou ávido por informações sobre o Brasil, pois para todos nós é uma espécie de tentativa de resgate, de manter um elo emocional e psicológico com as nossas raízes. Na pressa e na falta, na carência natural, ansiamos por fazer novos amigos brasileiros, uma necessidade de unir forças para derrotar o frio e a falta dos cheiros e sabores da terra das mulatas, do samba, da cerveja no final de semana, do torresmo, da água de côco no final de tarde, do acarajé, do chimarrão, do queijo de minas, do aroma do café que acabamos de tomar. A internet ajuda, une e afasta, mas a necessidade de sobrevivência fala mais alto e nem tudo é virtual. Nem os dedos no teclado, nem a leitura rápida em busca de informações recentes, atuais. Internautas e imigrantes, nada se compara a uma boa risada ao telefone, um café ou chá após o jantar, olho no olho, conversa ao pé do ouvido, confidências, carências, saudades, clima de brasilidade. E assim os internautas brazucas saem da frente do computador em busca do contato real, do calor, da alegria, da espontaneidade. Mas pessoas são diferentes e nem sempre sinceras, e cada um na verdade tem uma razão particular para estar aqui. Por isso amigos brazucas ou não, virtuais, reais, saibam que a amizade que se conquista na terra dos moinhos vem lentamente como a confiança, a lealdade, o falar franco sem medo de chocar ou ferir. O que nos faz vencedores é o que nos faz autênticos, o que nos identifica na multidão. Saudade em verde e amarelo Hoje acordei com uma lembrança boa, um cheiro saboroso de café, aquele pão fresco, manteiga derretendo, queijo de minas, doce de goiaba e frutas tropicais. Só de pensar todos os sabores se tornam reais. No calor moreno de uma manhã de sol ou na chuva de verão que cai no telhado. Lembro do barulho dos vizinhos, sons familiares à nossa memória afetiva. Estar longe de casa nos faz ansiar rever a brisa de um mar que mareja em olhos castanhos, no abraço festeiro de quem nos revê, na palavra e na gargalhada sem censura, no apelido carinhoso, no sorriso generoso, no aconchego dos nossos pensamentos de chumbo, das carências que se acumulam quando um colo de mãe faz falta, quando tudo à nossa volta parece pequeno diante dessa saudade amordaçada em outra língua. Saudade do que nos faz desiguais, ou que nos imprime um jeito de ser e de sentir únicos, do que nos faz humanos e risíveis, sim, apesar das crises o Brasil resiste às críticas e continua dando seu grito de liberdade ainda que tardia. Há uma chama de ufanismo, há uma bandeira que tremula e anuncia o que está errado, e no peito pulsa outros sentimentos e não há como definir o que é ser brasileiro sem passar por fases e luas e em gestos desencontrados, seguir o ritmo de um pandeiro e de uma cuíca que chora as nossas dores e vive outros amores, e esquece os carnavais passados entre ruas e avenidas de uma outra cidade com nomes diferentes.Hoje a história que escrevemos em terras alheias já foi muitas vezes contada em prosas e versos e em filmes e documentários verídicos ou irreais que não saem da nossa mente. Hoje somos condutores do nosso destino, desse script, roteiro das nossas viagens, diário de bordo, folhas de um caderno que o vento das mudanças carrega para longe das nossas mãos ansiosas e aflitas.Saudade daquela nossa briga diária entre o salário e a conta no final do mês, do telefone, da luz, do gás, de mais um aumento na gasolina. Indignados ficamos com a violência gratuita, com a ignorância dos políticos, com as injustiças sociais, com o modo imoral com que somos tratados pela imprensa internacional.Saudade da inocência perdida de um Brasil que se vendeu tantas vezes, mas ainda nos pertence, como herança e legado dos índios massacrados, queimados em bancos de praça e esquecidos. Brasil dos bandidos de colarinho branco, da mulata que samba feliz na apoteose de um sonho que só dura um dia. Da fome zero que ainda não sacia as barrigas vazias de quem chora a terra seca, da chuva que se acumula no sul e falta no nordeste.Saudade do que ainda não podemos mudar e desse lugar onde nascemos, tatuagem na alma de quem está longe e perto. Das canções que falam dos que migram todos os dias, dos retirantes que vem do norte, no trem que corta montanhas no sudeste carregando projetos, do som dos pássaros no centro oeste, no futuro em linhas ousadas da capital de um país latino americano que sonha ser grande de dentro pra fora.Saudade de um Brasil que pede pão e circo quando na verdade só anseia justiça plena. Todos querem mais que comida, diversão e arte, uma saída para qualquer parte, liberdade, dignidade, vida , amor pleno no nosso jeito de ser. Prazer que alivia a dor, dinheiro e felicidade, tudo inteiro e nunca mais pela metade. Assim dizia aquela canção dos titãs. Assim desejamos todos nós brasileiros de todas as cores, raças, credos, lugares e idades. Assim é a nossa saudade em verde e amarelo. Sair de férias Sair de férias é dar um tempo pro stress do trabalho, a rotina do trem, metrô ou bonde. Atrasos normais do corre corre diário. Acordando cedo pra ver se o dia rende um pouco mais. Pra ter férias não precisa ser muito longe, até mesmo na cidade onde moramos, caso ela não seja tão pequena. Seja vila, vilarejo, cidade média ou grande, há um parque, um pouco de verde, de ar puro pra se respirar, longe da fumaça ou do barulho das buzinas, das filas e outras nóias e paranóias da vida moderna. Férias exige preparação: bagagem, mala, lista de artigos úteis ou inúteis. Para quem é brasuca, imigrante brasileiro na europa unida por tratados ecônomicos e ainda presa ás suas diferenças culturais e protecionismo regional. Seja de carro, de trem ou avião, sair de férias é abrir as asas da liberdade, mesmo que temporária, pois direitos também vem acompanhado com deveres, sejam eles os documentos que carregamos ou a segunda ou terceira língua que aprendemos por força das necessidades ou circunstancias inevitáveis. Passaporte verde ou seria azul ou vermelho depende pra onde se vai ás vezes só a carteira de identidade ou carta de habilitação já são o bastante. Esperamos que a viagem transcorra tranquila, seja Schiphol ou Heathrow, seja Thalys ou Eurostar, de barco também vale com certeza, carro revisado, tralhas embarcadas e o cão no porta-malas. Primavera-verão, menos roupa, mais desejos, chove e pára e novamente faz sol e assim vamos nós de férias, de mala e cúia e aquele mapa inútil, um guia de cidades, braços abertos pro acaso, pra quem quer conhecer lugares novos caminhar é o melhor remédio, não tem nada melhor que a surpresa da descoberta em ruas, esquinas, praças e monumentos, construçoes exóticas ou tradicionais, históricas. Europa com crise ou sem crise economica. Europa com seus barzinhos e cafés apinhados de gente, com sua cerveja quente e seus preços salgados, seu modo viventis, gente de face avermelhada que nem tomate. Europa pra quem não pode esse ano matar a saudade mais viva do que nunca do Brasil moreno e crioulo, cheio de ginga, passe de bola, samba de terreiro, cadencia e aquele cheiro iningualável da comida de casa. Brasil longe dos olhos e perto da batucada do peito que machuca e nos faz entender que saudade ate que é bom de ter quando o que deixamos pra traz adquiriu mais valor. Estou saindo de férias, curtas mas férias e bem merecidas, pois nao veio de um desejo momentaneo, mas um planejamento meio desordenado de uma lista de espera. Contei os meses e as semanas e agora já está de embarcar nessa viajem. Sair de férias deixar o celular, o laptop em casa, sair de férias e esquecer de checar e-mails e spams da vida. Pra voce que fica desejo a mesma sorte e que não muito de chegar as suas próximas férias. Boa viagem!
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